Marketing Pessoal por Fábio Arruda

Quando me perguntam qual é o material específico que uso para essas palestras, respondo de imediato: nenhum. Vou me moldando de acordo com o público, porque acredito no seguinte: é preciso passar uma informação que seja interessante e que valha para qualquer pessoa, tanto na sua vida pessoal quanto profissional.

O que é marketing pessoal? É vender sua imagem. De que maneira? Através de suas atitudes. Eu não sou um “marqueteiro pessoal”. Falo de etiqueta e comportamento e o que tento passar para o público é a forma de se construir a imagem de um profissional competente, apto a encarar as mais diversas situações. Não tenho o poder de transformar as pessoas, mas posso dar a elas subsídios para estarem bem dentro do seu mundo que compreende família, trabalho e clientes, uma vez que não dá para separar a vida em gavetinhas.

Nas minhas palestras não mostro vídeo. Detesto data-show e não creio naqueles gráficos separados em cores e coluninhas que pretendem ensinar a vida. Não. Detesto. Trabalho com a postura correta, sem ser pernóstica ou posuda. Para quem imaginar que vai ter uma aula de frescura, recomendo que não vá porque não é isso. Se imaginar que vou falar da minha experiência em jantares com presidentes, esqueça, porque isso não interessa. Quero falar de como melhorar o cotidiano do contabilista, do amigo, daquele que me vê na TV.

Eu costumo dizer que o que assusta é o que você não conhece. Assim, eu trabalho com a confiança de cada um em si mesmo, tirando o “efeito buuuu”, o medo do desconhecido. O convívio social é um grande jogo: se você for falso, não vai funcionar. O que mais vale no mundo profissional hoje em dia é o poder da indicação. O contabilista, por exemplo, lida com números, clientes milionários, contas fabulosas. Uma postura correta, a palavra adequada na hora certa fará com que ele ganhe pontos com o seu cliente. Porque uma pessoa que mexe com números tem de ter um visual medonho? Aquela imagem que está no imaginário popular, do contador com cinco canetas no bolso, várias estouradas, outra atrás da orelha, deve ser aposentada. A pessoa tem de estar pronta para uma reunião-surpresa, tem de mostrar uma figura agradável – que nada tem a ver com beleza. A beleza é cativante, mas nem sempre é agradável.

A apresentação pessoal é tudo. Pegue um exemplo bem simples: uma dona de casa que vai ao supermercado e pára diante da gôndola de tomates. Você acha que ela vai escolher o amassado, feio? Não, não vai nem olhar. O que eu prego não é a vaidade excessiva. É uma limpeza de forma, de postura, de comprometimento.
Houve um tempo em que as pessoas se arrumavam para ir ao cinema. Era uma espécie de atenção para com o outro. Quando você vai à casa de uma pessoa que diz “não repare na bagunça”, eu res-pondo imediatamente: “reparo sim”. Ou alguém que vai visitá-lo e comenta: “vim de qualquer jeito, só para te ver”. Aí eu digo que se você não se preparou para me ver é porque não tinha vontade. Então, nem precisa vir. Mande um beijo por e-mail.

Nas minhas palestras nunca tenho um texto pronto, nem faço roteiro. Não gosto de ficar “engessado”. Nesta, farei uma introdução rápida, uma conceituação histórica sobre o assunto etiqueta e comportamento, com bom humor e sem chatice. A maneira como você se apresenta a um cliente ou seja quem for é o seu marketing pessoal. Se estiver errado, já está feito. Tenho certeza de que as pessoas saem das minhas palestras e cursos com alguma informação, que melhorará a sua vida pessoal e profissional, apta tanto para o fundo de quintal quanto para o cerimonial da Rainha da Inglaterra. Sem pose, porque quem faz pose é modelo fotográfico. O chique é ser natural, porém preparado.

Fábio Arruda é arquiteto, paisagista e mestre em etiqueta e comportamento. Autor dos livros: Sempre, às Vezes, Nunca e Chique & Útil.

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